Estou há uma hora com a página do word aberta e ainda não escrevi uma única palavra sobre mim. Tenho lido auto-retratos na aula e lembrei-me que nunca fiz nenhum.
Então, aqui estou eu a tentar escrever algo sobre mim, mas não sai nada. Voltei a ler todos os auto-retratos e apercebi-me que em nenhum deles consegui conhecer a pessoa. Todos eles são poetas, amantes e todos eles apenas falam da dimensão dos seus narizes e do quão frios são.
Se eu quisesse que as pessoas soubessem quão grande é o meu nariz apenas tirava uma fotografia, não gastava o meu latim. Eu quero escrever sobre quem sou, sobre quem fui, sobre o que vivi. Não quero escrever sobre o meu eu exterior, mas sim o meu eu interior – que não está a disposição de todos.
Mas, então como começar a escrever sobre mim? Ultimamente tenho passado mais tempo sozinha, longe de tudo e todos. Ultimamente não tenho tido quem amo ao meu lado e isso fez com que a minha mascara aparecesse. A mascara de quem não tem sentimentos, de quem é super simpática e sorridente. De quem tem uma vida feliz e perfeita, de quem é brilhante e doce.
Eu, infelizmente para alguns, não sou assim. Se fosse, todos gostariam de mim. Mas não sou. Eu sou alguém que já amou muito, demais até. Que em três anos vivi momentos demasiado marcantes e que não tenho a certeza se isso afetou, muito. Eu já tive tudo que me fez feliz, já transbordei de amor e carinho. E agora? Não tenho nada disso.
Agora, onde eu estou, apenas veem a mascara, não me conhecem. Olham para mim e não conseguem ver a minha alma. Quando for abaixo, a mascara vai cair e vou-me transformar numa pessoa fria. E quando me tornar nisso, ninguém conseguirá entrar no meu coração.
Eu quero que alguém me conheça, eu quero que tu me conheças! E agora, que já te falei um pouco em mim, deixas-me refugiar em ti?
RaíssaBaarbosa :*